Tiradentes e a Odontologia Brasileira: de Apelido a Potência Mundial
No feriado de 21 de abril, uma reflexão sobre o país que carrega no nome de um mártir a origem de uma das profissões mais respeitadas do mundo: o Brasil é hoje a maior potência odontológica do planeta.
Um mártir que carregava a dor no nome
Joaquim José da Silva Xavier ficou para a história como Tiradentes porque exercia, de forma informal, o ofício de extrair dentes da população de Minas Gerais no final do século XVIII. Era uma prática comum naquela época: dentistas com formação universitária praticamente não existiam no Brasil colonial, e os cuidados bucais ficavam a cargo de barbeiros, sangradores e práticos sem qualquer titulação.
Executado em 21 de abril de 1792 no Rio de Janeiro, depois de liderar o movimento que sonhava com a independência do Brasil do domínio português, Tiradentes foi esquartejado e sua cabeça exposta em Vila Rica, hoje Ouro Preto. Séculos depois, a data de sua morte tornou-se feriado nacional e símbolo de resistência, coragem e identidade brasileira.
Há uma ironia bonita nessa trajetória: o homem que carregava no apelido a rudeza dos cuidados bucais de seu tempo virou patrono simbólico de um país que hoje ocupa, literalmente, o topo do ranking odontológico mundial.
O Brasil que Tiradentes não poderia imaginar: o país dos dentistas
O Brasil é hoje o país com o maior número de cirurgiões-dentistas registrados no planeta. Segundo o Conselho Federal de Odontologia (CFO), o país ultrapassou a marca de 450 mil profissionais ativos em 2026, o que representa cerca de 20% de toda a força de trabalho odontológica do mundo, com uma média de um dentista para cada 510 habitantes.
O crescimento ao longo das décadas é expressivo. Em 2010, aproximadamente 19% dos dentistas do planeta eram brasileiros, totalizando cerca de 219 mil profissionais. Em onze anos, esse número cresceu mais de 51%. O salto dos anos seguintes foi ainda mais intenso, impulsionado pela expansão das faculdades e pela maior procura pelo curso em todo o país.
Esse crescimento não é apenas quantitativo. Os profissionais com inscrição ativa no CFO acumulam mais de 153 mil especialidades registradas, sendo Ortodontia, Implantodontia, Endodontia e Prótese Dentária as áreas com maior número de inscritos. No total, são 24 especialidades regulamentadas no Brasil, abrangendo desde a odontopediatria até a cirurgia bucomaxilofacial.
"O Brasil é o segundo país que mais realiza procedimentos odontológicos no mundo, ficando atrás apenas dos Estados Unidos." (Sociedade Brasileira de Odontologia e Estética)
O reconhecimento internacional chega também pelo lado econômico. O turismo odontológico no Brasil movimenta mais de US$ 1 bilhão por ano, com pacientes de outros países buscando tratamentos de alta qualidade a custos significativamente menores do que nos seus países de origem. Dentistas brasileiros são convidados com regularidade para palestrar em congressos internacionais e atuam em clínicas e universidades renomadas em diversos países.
As melhores faculdades de odontologia do mundo ficam no Brasil
A excelência dos dentistas brasileiros começa nas salas de aula, e os rankings internacionais confirmam isso com números difíceis de ignorar. A graduação em Odontologia da USP foi classificada em primeiro lugar no EduRank 2025, ranking que avalia 14.131 universidades de 183 países. Unesp, Unicamp e UFMG também aparecem em posições de destaque na mesma lista.
No QS World University Rankings, publicado pela Quacquarelli Symonds do Reino Unido e considerado uma das referências mais respeitadas do ensino superior global, USP, Unicamp e Unesp figuram entre as 50 melhores universidades de Odontologia do mundo. A USP ocupa a 13ª posição, a Unicamp a 26ª e a Unesp a 39ª.
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USP, 1º lugar no EduRank 2025Melhor faculdade de Odontologia do mundo entre 14.131 universidades de 183 países avaliadas pelo ranking.
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USP em 13º, Unicamp em 26º, Unesp em 39ºTrês universidades brasileiras entre as 50 melhores do mundo em Odontologia no QS World University Rankings.
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2º lugar mundial em publicações científicasEntre 1996 e 2024, o Brasil ocupa a segunda posição no ranking SCImago em número de publicações científicas em Odontologia.
Na produção científica, o desempenho é igualmente robusto. Considerando o período entre 1996 e 2024, o Brasil ocupa o segundo lugar mundial em número de publicações científicas em Odontologia, segundo o SCImago Journal & Country Rank, portal internacional de avaliação de periódicos científicos.
O boom das faculdades: de 241 cursos para 650 em uma década
A expansão do ensino odontológico no Brasil nas últimas décadas não tem paralelo no mundo. Em dez anos, o número de cursos de Odontologia no país subiu de 241 para 650, um crescimento de aproximadamente 170%. O número de estudantes matriculados saltou de 99.142 em 2015 para 162.750 em 2024, uma variação de 64% no mesmo período, segundo dados do Censo da Educação Superior do INEP.
Esse crescimento foi sustentado principalmente pelo setor privado, que responde por 89,4% das instituições que ofertam o curso no país. A concentração de vagas é maior na região Sudeste, mas o avanço geográfico é visível em todas as regiões. Cidades do interior que nunca tinham tido um curso de Odontologia passaram a contar com clínicas-escola que atendem a população local gratuitamente.
Para garantir que a expansão não comprometa a qualidade da formação, o governo federal agiu diretamente. Em 2025, o decreto da Nova Política de Educação a Distância determinou que os cursos de Odontologia devem ser ofertados exclusivamente no formato presencial, reforçando a exigência de infraestrutura laboratorial, prática clínica supervisionada e corpo docente qualificado.
Do lado do mercado de consumo, os números seguem na mesma direção de crescimento. Em 2025, cerca de 32 milhões de brasileiros tinham planos odontológicos privados, com crescimento de 6,8% em apenas um ano, segundo a ANS. A digitalização, com scanners intraorais, impressão 3D e inteligência artificial aplicada ao diagnóstico, está transformando a rotina dos consultórios e consolidando o Brasil como referência também em inovação tecnológica na área.
O fio que liga Tiradentes ao presente
Há algo significativo no fato de o Brasil, cuja identidade nacional é celebrada todo 21 de abril, ser justamente o país que mais forma dentistas no mundo e que ocupa o segundo lugar global em produção científica odontológica. Tiradentes não teve acesso a nada disso. Atuou como dentista leigo numa colônia que mal começava a se entender como nação, sem formação, sem equipamentos, sem reconhecimento profissional.
Mas a data que leva seu nome tornou-se, ao longo dos séculos, o momento em que o Brasil para para lembrar quem ele foi e para avaliar para onde está indo. E o caminho da odontologia brasileira aponta em uma direção clara: mais especialistas, mais ciência, mais tecnologia e mais acesso para a população.
O apelido de um mártir nunca soou tão bem quanto hoje.
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Respostas diretas para as dúvidas mais comuns sobre Tiradentes e a odontologia brasileira.
Por que Tiradentes tem esse apelido? +
O Brasil tem o maior número de dentistas do mundo? +
As faculdades de odontologia do Brasil são reconhecidas internacionalmente? +
Quantos cursos de odontologia existem no Brasil? +
O Brasil é referência em produção científica na odontologia? +
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