AVC no CID-10: I64, I63.9 e sequelas
O I64 é muito buscado, mas o exame de imagem costuma permitir um código mais preciso. Veja a diferença entre AVC agudo e sequela.
O I64 descreve o AVC não especificado como hemorrágico ou isquêmico, e o I63.9 descreve o infarto cerebral não especificado. Quando o exame de imagem define o tipo, o código deve ser o do tipo, e não o genérico. Depois da alta, as consequências do AVC passam a ser registradas com códigos de sequela, da categoria I69.
Cada fase da doença tem um código diferente, e essa distinção importa para o prontuário, para o atestado e para a reabilitação. Veja as páginas do CID I64, do CID I63.9 e do CID I69 (sequelas) no Guia CID.
Resumo rápido
- I64
- AVC não especificado como hemorrágico ou isquêmico: usado quando o tipo não foi definido.
- I63 e I61
- Infarto cerebral (isquêmico) e hemorragia intracerebral: códigos do tipo definido.
- I69
- Sequelas de doenças cerebrovasculares: usado depois da fase aguda.
I64 × I63 × I61
| Código | Descrição | Quando usar |
|---|---|---|
| I60 | Hemorragia subaracnóidea | Sangramento no espaço subaracnóideo documentado |
| I61 | Hemorragia intracerebral | AVC hemorrágico com sangramento intraparenquimatoso |
| I63 | Infarto cerebral | AVC isquêmico com tipo ou causa definidos |
| I63.9 | Infarto cerebral não especificado | AVC isquêmico sem definição da causa |
| I64 | AVC não especificado como hemorrágico ou isquêmico | Tipo ainda não definido |
O I64 é o código para o momento em que o tipo do AVC ainda não foi definido, e ele deve ser substituído quando a imagem esclarece. No pronto-socorro, o paciente chega com déficit neurológico agudo e o registro inicial pode ser genérico. Assim que a tomografia ou a ressonância definir o tipo, o código deve ser atualizado.
O ataque isquêmico transitório tem categoria própria (G45). Se os sintomas se resolveram e não há lesão, não é AVC.
A sequela usa I69
A categoria I69 registra as sequelas de doença cerebrovascular, e ela é usada quando o paciente já passou da fase aguda e tem déficits persistentes. O código de sequela informa qual doença causou o déficit, como infarto cerebral ou hemorragia intracerebral, e é combinado com o código que descreve o déficit em si.
- o I69 indica a causa da sequela, como um AVC anterior;
- o déficit, como hemiplegia (G81) ou afasia, é registrado em código próprio;
- não se usa I64 ou I63 para o paciente que já teve alta e está em reabilitação, pois o episódio agudo passou.
Essa separação é importante porque o código agudo descreve um evento que já terminou, e manter I64 no acompanhamento pode gerar erro de registro.
Atestado e reabilitação
No acompanhamento pós-AVC, o CID aparece em documentos de afastamento, em pedidos de reabilitação e em solicitações de órteses e de outros recursos. O código usado deve corresponder à fase em que o paciente se encontra.
Na reabilitação, a documentação da funcionalidade é tão importante quanto o código: força, marcha, fala, cognição e independência nas atividades diárias. Se o serviço usar códigos de cuidado com reabilitação (categoria Z50), confirme com o faturamento como combiná-los ao I69. Para o atestado, lembre que a inclusão do CID depende da autorização do paciente.
O que documentar
-
Início e tempo de evolução
Hora de início dos sintomas ou última vez em que o paciente foi visto bem, e o tempo até o atendimento.
-
Exame de imagem
Tipo de exame, data e o achado, que definem se o AVC é isquêmico ou hemorrágico.
-
Déficits neurológicos
Descrição dos déficits no exame físico e a evolução ao longo dos dias.
-
Plano de reabilitação
Terapias em curso e metas funcionais, que sustentam os documentos posteriores.
Como a fase do AVC define o código
O mesmo paciente pode passar por três fases em meses, e o código de cada fase deve refletir o momento do cuidado. Uma sequência simples para a equipe:
-
Fase aguda
Início dos sintomas e atendimento de urgência. Usa I64 até a imagem definir o tipo, e depois I63 ou I61.
-
Internação e alta
O diagnóstico principal continua sendo o do AVC. Documente as complicações que surgirem durante a internação.
-
Reabilitação
O paciente tem déficits persistentes. O registro passa a usar I69 e o código do déficit.
-
Prevenção secundária
Acompanhamento dos fatores de risco, como hipertensão e diabetes, cada um com seu código.
Manter o código de fase aguda depois da alta é um erro frequente, porque o histórico fica mais fácil de copiar do que de atualizar. Uma revisão do código a cada mudança de fase evita essa distorção e mantém o prontuário coerente com a situação clínica real do paciente.
Fontes
- OMS, CID-10 (versão 2019), classificação de referência com a descrição de cada código
- Academia Brasileira de Neurologia, informações e posicionamentos em neurologia
- Guia CID, I64, descrição do código conferida na base do Guia CID
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Escrito por
Laura Rodrigues
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