Fibromialgia no CID-10: M79.7 e por que ele é tão buscado
A fibromialgia tem código próprio, o M79.7, mas costuma ser confundida com dor muscular inespecífica. Veja como diferenciar e como documentar.
A fibromialgia tem código próprio no CID-10: o M79.7. O M79.1 (mialgia) descreve dor muscular sem diagnóstico definido, e a diferença entre os dois é o que define se o prontuário registra uma síndrome ou apenas um sintoma.
A busca pelo código é alta porque a fibromialgia aparece em atestados, laudos e pedidos de benefício, e o registro correto tem consequências práticas. Consulte as páginas do CID M79.7 e do CID M79.1 (mialgia) no Guia CID.
Resumo rápido
- M79.7
- Fibromialgia: síndrome de dor crônica difusa, de diagnóstico clínico.
- M79.1
- Mialgia: dor muscular sem diagnóstico de síndrome definido.
- Documentação
- O prontuário deve mostrar os elementos clínicos que sustentam o diagnóstico.
M79.7 × M79.1
| Código | Descrição | Quando usar |
|---|---|---|
| M79.7 | Fibromialgia | Quadro que preenche os critérios clínicos da síndrome |
| M79.1 | Mialgia | Dor muscular sem diagnóstico definido de outra causa ou síndrome |
M79.7 descreve uma síndrome definida, e M79.1 descreve um sintoma. Um paciente com dor muscular de origem incerta, sem critérios completos, deve receber o registro de sintoma até que o quadro se esclareça. Usar M79.7 sem critérios pode gerar problemas posteriores, principalmente em laudos e perícias.
O código de fibromialgia é um diagnóstico clínico. Ele precisa estar sustentado pelo que foi avaliado e registrado.
Critérios clínicos sem exame confirmatório
Não existe exame de sangue ou de imagem que confirme a fibromialgia. O diagnóstico é clínico, baseado na história do paciente e no exame físico, com exclusão de outras causas que expliquem a dor. Os exames complementares servem para descartar outras condições, e não para provar a síndrome.
As sociedades de reumatologia adotam critérios de classificação que combinam dor difusa por período prolongado com sintomas associados, como fadiga, sono não reparador e alterações cognitivas. Confira na fonte da Sociedade Brasileira de Reumatologia os critérios em uso antes de citá-los no material do seu serviço.
- tempo de evolução da dor e sua distribuição pelo corpo;
- sintomas associados, como fadiga, sono não reparador e alterações de memória e concentração;
- resultado do exame físico e das avaliações para outras causas;
- impacto funcional na rotina e no trabalho.
Código em atestado e perícia
Como o diagnóstico depende do relato e da avaliação clínica, o registro no prontuário é a principal prova em situações de atestado e de perícia. Um laudo que só cita o código, sem descrever a evolução e a limitação funcional, costuma ser pouco útil para quem avalia.
O CID no atestado depende da autorização do paciente, como explicado no guia sobre atestado médico. Se o paciente pedir o código, confirme antes se a descrição corresponde ao diagnóstico. Para o conjunto de dores musculares e articulares, o guia de dor musculoesquelética reúne os códigos mais consultados.
Cuidados na documentação
-
Registrar critérios, não só o código
Descreva o que sustenta o diagnóstico: duração, distribuição e sintomas associados.
-
Documentar exclusões
Anote as condições que foram consideradas e afastadas, com os exames feitos.
-
Evitar usar M79.7 como atalho
Se o quadro não fecha a síndrome, o M79.1 é o registro mais coerente até haver definição.
-
Acompanhar a evolução
A resposta ao tratamento e a funcionalidade ao longo do tempo compõem o histórico.
Como conduzir o registro em consultas de seguimento
Na fibromialgia, o seguimento é longo, e o prontuário é o histórico que sustenta qualquer documento posterior. Em cada retorno, procure registrar:
- a intensidade da dor e a variação em relação à consulta anterior;
- a qualidade do sono, a fadiga e o humor, que fazem parte do quadro;
- a resposta às medidas em curso, farmacológicas ou não;
- as atividades que o paciente conseguiu manter ou precisou reduzir;
- a data e o motivo de qualquer mudança de conduta.
Se em algum momento o quadro mudar e os critérios não forem mais preenchidos, o registro deve ser revisto. Manter o diagnóstico por inércia pode gerar inconsistência em laudos posteriores. Se surgirem sintomas novos, como fraqueza focal, febre ou perda de peso, a investigação de outras causas volta a ser necessária.
Vale lembrar que a fibromialgia pode coexistir com outras condições, como depressão, ansiedade e doenças reumáticas inflamatórias. Nesses casos, cada diagnóstico deve ser registrado com o código que lhe corresponde, e o prontuário deve deixar claro qual condição explica cada parte do quadro.
Em caso de dúvida, o Guia CID ajuda a conferir a descrição do código antes do fechamento.
Fontes
- OMS, CID-10 (versão 2019), classificação de referência com a descrição de cada código
- Sociedade Brasileira de Reumatologia, informações e posicionamentos sobre doenças reumáticas
- Guia CID, M79.7, descrição do código conferida na base do Guia CID
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Escrito por
Laura Rodrigues
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