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Fascite plantar no CID-10: M72.2 e esporão de calcâneo

Fascite plantar e esporão de calcâneo são diagnósticos diferentes, com códigos diferentes. Veja como escolher e o que evitar.

A fascite plantar é registrada no M72.2, e o esporão de calcâneo tem código próprio, o M77.3. Os dois são frequentemente confundidos, porque o esporão aparece na radiografia de muitos pacientes com dor no calcanhar, mas nem sempre é a causa da dor.

Escolher o código certo depende do que foi diagnosticado: a inflamação da fáscia ou o achado ósseo. Veja as páginas do CID M72.2 e do CID M77.3 (esporão de calcâneo) no Guia CID.

Resumo rápido

M72.2
Fibromatose da aponeurose plantar, que inclui a fascite plantar.
M77.3
Esporão do calcâneo: achado ósseo, com ou sem dor associada.
M72.0
Doença de Dupuytren, da mão: não tem relação com o pé.

M72.2 × M77.3

Código Descrição Quando usar
M72.2 Fibromatose da aponeurose plantar Dor plantar por fascite, com quadro clínico compatível
M77.3 Esporão do calcâneo Esporão de calcâneo documentado como diagnóstico

M72.2 descreve a condição da fáscia, e M77.3 descreve o esporão ósseo. Um paciente com dor no calcanhar ao dar os primeiros passos pela manhã e dor à palpação da inserção da fáscia tem quadro típico de fascite plantar, e o M72.2 é o código coerente. O esporão, quando aparece na radiografia, é um achado que pode coexistir com a fascite.

A presença de esporão na radiografia não significa que ele seja a causa da dor. Muitas pessoas têm esporão sem sintomas.


Erro comum: usar M72.0 (Dupuytren)

O M72.0 é a fibromatose da aponeurose palmar, a doença de Dupuytren, que afeta a mão, e não deve ser usado para dor no pé. O erro acontece porque os códigos vizinhos, M72.0 e M72.2, pertencem à mesma categoria de fibromatoses e têm nomes parecidos.

  • M72.0: aponeurose palmar, na mão, com retração dos dedos;
  • M72.2: aponeurose plantar, no pé, que inclui a fascite plantar;
  • confira a descrição de cada código no Guia CID antes de selecionar na lista do sistema.

Como o nome oficial do M72.2 fala em fibromatose, e não em fascite, muitos sistemas de busca não o mostram quando se digita fascite plantar. Isso aumenta a chance de erro na escolha, e a pesquisa pelo termo no Guia CID ajuda a encontrar o código correto.


Código em afastamento

A fascite plantar costuma responder ao tratamento conservador, e o afastamento, quando necessário, depende da atividade do paciente, e não do código. Trabalhadores que passam muitas horas em pé ou caminhando podem ter limitação funcional maior do que quem trabalha sentado.

Para um atestado ou laudo, descreva a limitação em relação à atividade: tempo em pé, deslocamento, uso de calçados e intensidade da dor. O CID só entra no documento com a autorização do paciente. Se houver encaminhamento para ortopedia, medicina física ou fisioterapia, registre o tratamento já realizado e a resposta a ele. O guia musculoesquelético reúne códigos de outras dores do aparelho locomotor.


O que documentar

  • Característica da dor
    Localização no calcanhar, piora nos primeiros passos e ao final do dia, e tempo de evolução.
  • Exame físico
    Dor à palpação da inserção da fáscia, alterações do arco plantar e da mobilidade do tornozelo.
  • Exames de imagem
    Radiografia, quando feita, e o achado descrito, como o esporão, sem atribuir a ele a causa da dor.
  • Tratamento e resposta
    Medidas conservadoras adotadas, como alongamentos, palmilhas e analgesia, e a evolução.

Orientações ao paciente que fazem parte do registro

O tratamento da fascite plantar é, em geral, conservador, e as orientações dadas ao paciente devem constar no prontuário. Em consultas de acompanhamento, procure registrar:

  • exercícios de alongamento da fáscia e da panturrilha orientados;
  • recomendações sobre calçados e uso de palmilhas ou órteses;
  • orientações sobre redução temporária de atividades de impacto;
  • medicação analgésica ou anti-inflamatória prescrita, com o período de uso;
  • critérios de retorno, como piora da dor ou ausência de melhora.

Se a dor persistir apesar do tratamento conservador, o histórico do que foi feito sustenta o encaminhamento para outras abordagens. Nesses casos, o registro de cada etapa, com a data e a resposta, evita a repetição de condutas e mostra a evolução do quadro. O código continua sendo o M72.2 enquanto o diagnóstico for de fascite, e o M77.3 só entra como diagnóstico se o esporão for de fato considerado parte do problema tratado.

Em atletas e em trabalhadores de longas jornadas em pé, o registro da atividade e da carga de trabalho ajuda a orientar a prevenção de novos episódios.

Fontes

  1. OMS, CID-10 (versão 2019), classificação de referência com a descrição de cada código
  2. Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia, informações de ortopedia e traumatologia
  3. Guia CID, M72.2, descrição do código conferida na base do Guia CID

Perguntas frequentes

Respostas diretas para as dúvidas mais comuns sobre CID de fascite plantar.

Qual o CID de fascite plantar? +
O M72.2. Na base do CID-10, o nome é fibromatose da aponeurose plantar, que inclui a fascite plantar.
Qual o CID de esporão de calcâneo? +
O M77.3.
Fascite plantar e esporão têm o mesmo código? +
Não. A fascite plantar é M72.2, e o esporão de calcâneo é M77.3.
O M72.0 serve para fascite plantar? +
Não. O M72.0 é a doença de Dupuytren, que afeta a mão.
Fascite plantar dá direito a atestado? +
Depende da limitação funcional e da atividade do paciente. O código, por si só, não define o afastamento.

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