Gastrite no CID-10: K29.7 e os quartos dígitos que confundem
O K29.7 é o código mais buscado para gastrite, mas a categoria K29 tem subcódigos para cada tipo. Veja quando o K29.7 é o certo e quando não é.
O K29.7 é o código de gastrite não especificada, e ele é o correto quando o tipo de gastrite não está definido no prontuário. Quando há informação sobre o tipo, como gastrite aguda, crônica, atrófica ou alcoólica, a categoria K29 tem subcódigos que descrevem melhor o caso.
A confusão aumenta porque queixa de dor no estômago também aparece como dispepsia (K30) ou como refluxo (K21). Veja as páginas do CID K29.7, da categoria K29 e do CID K21.9 (refluxo) no Guia CID.
Resumo rápido
- K29.7
- Gastrite não especificada: o tipo não foi definido no prontuário.
- K29.0 a K29.6
- Tipos definidos, como aguda hemorrágica, alcoólica, superficial crônica e atrófica crônica.
- K30
- Dispepsia: sintomas sem diagnóstico de gastrite confirmado.
Tabela K29.0 a K29.7
Cada quarto dígito da categoria K29 descreve um tipo de gastrite ou um achado próximo. Confira a lista:
| Código | Descrição | Quando usar |
|---|---|---|
| K29.0 | Gastrite hemorrágica aguda | Gastrite aguda com sangramento documentado |
| K29.1 | Outras gastrites agudas | Gastrite aguda de outra forma especificada |
| K29.2 | Gastrite alcoólica | Gastrite atribuída ao álcool |
| K29.3 | Gastrite superficial crônica | Achado endoscópico ou histológico compatível |
| K29.4 | Gastrite atrófica crônica | Atrofia documentada |
| K29.5 | Gastrite crônica não especificada | Gastrite crônica sem tipo definido |
| K29.6 | Outras gastrites | Formas específicas não listadas nos anteriores |
| K29.7 | Gastrite não especificada | Gastrite sem definição de tipo |
Os códigos K29.8 (duodenite) e K29.9 (gastroduodenite não especificada) completam a categoria e valem quando o duodeno também está envolvido.
Gastrite × refluxo × dispepsia (K30)
Gastrite é, em geral, um diagnóstico endoscópico ou histológico, e dor epigástrica sem esses achados é dispepsia. Muitos pacientes chegam com queixa de queimação e desconforto, e o rótulo popular de gastrite é usado para todas as situações. No prontuário, o código deve corresponder ao que foi documentado.
- Dispepsia (K30): sintomas como dor epigástrica, saciedade precoce e plenitude, sem diagnóstico de gastrite confirmado;
- Refluxo (K21): sintomas típicos como pirose e regurgitação, com ou sem esofagite, e o K21.9 descreve o refluxo sem esofagite;
- Gastrite (K29): diagnóstico apoiado em endoscopia ou histologia, ou em causa bem definida, como o álcool.
Se não houve endoscopia e o quadro é clínico, dispepsia costuma ser o registro mais honesto do que a avaliação sustenta.
Erro comum: usar K29.7 para tudo
O K29.7 vira um código de conveniência quando é usado para qualquer dor abdominal alta. Isso mascara o diagnóstico real, dificulta o acompanhamento e pode gerar inconsistência entre o laudo e o prontuário.
O uso correto é o de gastrite confirmada cujo tipo não foi definido. Se a endoscopia trouxe o tipo, o subcódigo deve ser usado. Se o paciente tem sintomas sem diagnóstico, K30 ou K21 podem ser mais adequados. Em caso de dúvida, a leitura da descrição de cada código no Guia CID ajuda a decidir.
O que documentar
-
Sintomas e tempo de evolução
Dor, queimação, náuseas e o tempo em que aparecem, com fatores de piora e melhora.
-
Fatores associados
Uso de anti-inflamatórios, álcool, tabagismo e estresse agudo, que podem sustentar um tipo de gastrite.
-
Exames realizados
Resultado de endoscopia, biópsia e pesquisa de Helicobacter pylori, quando feitos.
-
Sinais de alarme
Sangramento, perda de peso, anemia e dificuldade para engolir, que mudam a conduta e o registro.
Quando a gastrite pede investigação
Nem todo paciente com queixa gástrica precisa de endoscopia, mas alguns sinais mudam a conduta e o código. Ao avaliar, procure identificar:
- idade de início dos sintomas e persistência apesar do tratamento;
- sinais de alarme, como vômitos persistentes, sangramento, anemia e perda de peso sem causa;
- uso crônico de anti-inflamatórios ou de outros medicamentos que agridem a mucosa;
- história familiar relevante e resultado de pesquisa de Helicobacter pylori, se feita;
- resposta ao tratamento inicial e necessidade de exame para definir o diagnóstico.
Quando a endoscopia ou a biópsia trouxer o tipo de gastrite, atualize o código para o subcódigo correspondente. Se o exame for normal e os sintomas persistirem, a dispepsia funcional passa a ser uma hipótese, e o registro deve refletir isso. O Guia CID ajuda a conferir a descrição de cada código antes do fechamento, principalmente quando há dúvida entre K29.x e K30.
Para a equipe de faturamento, a orientação é simples: o código deve descrever o que o médico diagnosticou, e não o rótulo popular que o paciente usou. Uma conversa rápida com o médico assistente resolve a maioria das dúvidas entre K29 e K30.
Fontes
- OMS, CID-10 (versão 2019), classificação de referência com a descrição de cada código
- Federação Brasileira de Gastroenterologia, informações e diretrizes de gastroenterologia
- Guia CID, K29.7, descrição do código conferida na base do Guia CID
Perguntas frequentes
Respostas diretas para as dúvidas mais comuns sobre CID de gastrite.
Qual o CID de gastrite? +
Qual o CID de gastrite crônica? +
Qual a diferença entre gastrite e dispepsia? +
Refluxo usa K29? +
Posso usar K29.7 sem endoscopia? +
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Escrito por
Laura Rodrigues
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