Hemorroidas no CID-10: K64 e os graus da doença
A categoria K64 separa a doença hemorroidária por grau e por complicação. Veja como escolher o código e o que documentar.
A categoria K64 do CID-10 registra as hemorroidas por grau, do primeiro ao quarto, além de formas complicadas, como a trombose. O K64.9 é o código de hemorroidas não especificadas, e o mais específico é o que corresponde ao grau documentado no exame.
A busca por CID de hemorroida é alta porque o diagnóstico aparece em atestados, encaminhamentos e pedidos de cirurgia. Veja a página completa do CID de hemorroida, além do CID K64.9 e da categoria K64 no Guia CID.
Resumo rápido
- K64.0 a K64.3
- Hemorroidas de primeiro, segundo, terceiro e quarto graus.
- K64.5
- Trombose venosa perianal, associada à hemorroida trombosada.
- K64.9
- Hemorroidas não especificadas, quando o grau não foi definido.
Tabela K64.0 a K64.9 por grau
| Código | Descrição | Quando usar |
|---|---|---|
| K64.0 | Hemorroidas de primeiro grau | Sangramento sem prolapso |
| K64.1 | Hemorroidas de segundo grau | Prolapso com redução espontânea |
| K64.2 | Hemorroidas de terceiro grau | Prolapso com redução manual |
| K64.3 | Hemorroidas de quarto grau | Prolapso irredutível |
| K64.4 | Plicomas anais residuais | Pele residual após hemorroida |
| K64.5 | Trombose venosa perianal | Trombose documentada |
| K64.8 | Outras hemorroidas especificadas | Formas específicas não listadas |
| K64.9 | Hemorroidas não especificadas | Grau não definido no prontuário |
O grau da doença hemorroidária é definido pelo exame e pela história do paciente, e o código deve refletir o grau documentado. O sangramento vivo ao evacuar, sem prolapso, corresponde ao primeiro grau. Quando o mamilo hemorroidário prolapsa, o grau depende de se ele reduz sozinho, com a mão ou não reduz.
Trombose hemorroidária
A trombose é uma complicação que se apresenta com dor aguda e nódulo perianal doloroso, e o registro passa a considerar o código correspondente. Ela costuma ser um quadro de início súbito, com dor mais intensa do que a hemorroida habitual, e muda a conduta e o registro do atendimento.
- descreva o exame perianal: nódulo, coloração, tensão e sinais de sofrimento tecidual;
- anote o tempo de evolução, que influencia a escolha entre tratamento clínico e procedimento;
- registre o sangramento, quando presente, e a intensidade da dor.
O sangramento retal tem código próprio (K62.5), mas quando a causa é a hemorroida já diagnosticada, o código de hemorroida é o que descreve o quadro.
Código na indicação de cirurgia
Em pedidos de autorização de cirurgia, o código do grau e o relato clínico sustentam a indicação, e o K64.9 genérico pode gerar dúvidas para quem avalia. A indicação cirúrgica costuma ser discutida nos graus mais avançados ou nas complicações, conforme a avaliação do cirurgião e a resposta ao tratamento clínico.
Para o pedido, o prontuário deve mostrar o grau, o tempo de evolução, os tratamentos já tentados e o impacto na qualidade de vida. Quanto mais claro for esse histórico, menor a chance de o pedido voltar com solicitação de esclarecimentos.
O que documentar
-
Sintomas e evolução
Sangramento, prolapso, dor, prurido e o tempo em que aparecem, com a frequência dos episódios.
-
Exame proctológico
Inspeção, toque retal e anuscopia, com o grau definido e as complicações encontradas.
-
Tratamentos realizados
Medidas dietéticas, medicações e procedimentos anteriores, com a resposta a cada um.
-
Investigação de outras causas
Quando indicado, exame do cólon para afastar outras causas de sangramento.
Orientações ao paciente que também entram no registro
O tratamento da doença hemorroidária começa por medidas simples, e o prontuário deve mostrar que elas foram orientadas e como o paciente respondeu. Em cada consulta, vale registrar:
- orientações sobre fibras, hidratação e hábito intestinal;
- recomendações sobre o tempo de permanência no vaso sanitário e o esforço evacuatório;
- medicações tópicas ou orais prescritas e o tempo de uso;
- resposta ao tratamento clínico e frequência dos episódios de sangramento ou de prolapso;
- critérios de retorno, como dor intensa, sangramento volumoso ou nódulo doloroso.
Esse histórico é o que diferencia um caso que evoluiu bem com o tratamento clínico de um caso que precisa de procedimento. Se o paciente tem mais de uma queixa anorretal, como fissura ou fístula, cada diagnóstico deve ser registrado com o seu código, sem atribuir tudo à hemorroida. O Guia CID ajuda a conferir as descrições antes do fechamento do atendimento e evita a escolha do K64.9 por conveniência.
Em pessoas com sangramento retal e fatores de risco para outras doenças do cólon, a investigação complementar deve ser considerada antes de atribuir o sangramento à hemorroida.
Fontes
- OMS, CID-10 (versão 2019), classificação de referência com a descrição de cada código
- Sociedade Brasileira de Coloproctologia, informações e diretrizes de coloproctologia
- Guia CID, K64.9, descrição do código conferida na base do Guia CID
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Escrito por
Laura Rodrigues
Médica | CRM: 277443
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