Profilaxia antibiótica na prática: o que você precisa saber?
A profilaxia antibiótica antes de procedimentos odontológicos não é indicada para todos os pacientes. Veja quem precisa, em quais procedimentos e como prescrever segundo o guideline da AHA de 2021.
A profilaxia antibiótica antes de procedimentos odontológicos é indicada apenas para pacientes com médio e alto risco de desenvolver endocardite infecciosa. De acordo com o guideline da American Heart Association (AHA) de 2021, a recomendação deve ser restrita aos casos em que há benefício comprovado, evitando o uso indiscriminado de antibióticos.
Resumo rápido
- Quem precisa
- Pacientes de médio e alto risco de endocardite infecciosa: prótese valvar, histórico de endocardite, cardiopatia congênita cianótica não reparada, transplante cardíaco ou neutropenia com comorbidades.
- Quando prescrever
- Antes de procedimentos com manipulação gengival, manipulação periapical ou perfuração da mucosa oral.
- Primeira escolha
- Amoxicilina 2 g VO, 1 hora antes do procedimento.
Quais pacientes precisam de profilaxia antibiótica
A profilaxia está indicada apenas para pacientes com médio e alto risco de desenvolver endocardite infecciosa. Fora desses grupos, o guideline da AHA recomenda não prescrever antibiótico profilático, para evitar o uso indiscriminado.
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Prótese valvar cardíaca
Inclui material protético utilizado para reparo valvar.
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Histórico prévio de endocardite infecciosa
Pacientes que já tiveram um episódio de endocardite.
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Cardiopatias congênitas cianóticas
Não reparadas ou com defeitos residuais.
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Transplante cardíaco
Pacientes transplantados, independentemente do tempo do transplante.
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Neutropenia com comorbidades
Pacientes neutropênicos associados a outras comorbidades relevantes.
Outras alterações cardíacas são avaliadas individualmente quanto ao risco, sempre em conjunto com o cardiologista do paciente.
Em quais procedimentos odontológicos ela é indicada
A profilaxia antibiótica deve ser realizada antes de procedimentos que envolvam manipulação de tecidos com risco de bacteremia.
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Manipulação do tecido gengival
Procedimentos periodontais e cirúrgicos que envolvem a gengiva.
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Manipulação da região periapical dos dentes
Como em tratamentos endodônticos e cirurgias periapicais.
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Perfuração da mucosa oral
Extrações, cirurgias e outros procedimentos que rompem a mucosa.
Como prescrever corretamente
A primeira escolha para profilaxia antibiótica é a amoxicilina, administrada 1 hora antes do procedimento.
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Primeira escolha: Amoxicilina
2 g VO (4 comprimidos de 500 mg), administrada 1 hora antes do procedimento.
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Alérgicos à penicilina: Azitromicina
500 mg VO (1 comprimido), 1 hora antes do procedimento.
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Alérgicos à penicilina: Claritromicina
500 mg VO (1 comprimido), 1 hora antes do procedimento, como alternativa à azitromicina.
Existem também opções de administração para pacientes que não conseguem fazer a medicação por via oral, que devem ser avaliadas individualmente pelo profissional responsável.
O que mudou no guideline de 2021
A principal atualização do guideline de 2021 foi a retirada da clindamicina como opção para profilaxia antibiótica. Doses altas de clindamicina aumentam o risco de proliferação de C. difficile, o que eleva o risco de infecções intestinais. Além disso, não havia evidências que justificassem sua preferência em relação às demais alternativas disponíveis.
Fontes
- Lockhart PB, Bolger A, Baddour LM. The 2021 American Heart Association Statement on prevention of infective endocarditis: What's new? J Am Dent Assoc, 2021.
- Martico M, Kapageridis H, Ouanounou A. Infective Endocarditis: Etiology, Epidemiology and Current Recommendations for the Dental Practitioner. J Can Dent Assoc, 2024.
- Wilson WR, et al. Prevention of viridans group streptococcal infective endocarditis: a scientific statement from the American Heart Association. Circulation, 2021.
- American Heart Association. Infective Endocarditis Wallet Card.
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Sobre a autora
Dra. Ana Carolina Corazza Pedro (CROSP 116.550) é doutora e mestre em odontopediatria pela FOUSP, especialista em odontopediatria pela FAPES e especialista em odontologia para pacientes com necessidades especiais pela UNIP. Tem aperfeiçoamento em atendimento odontológico na primeira infância (curso de bebês) pela FFO FOUSP. É professora da UNIP São Paulo (campi Indianápolis e Marquês) e da Faculdade Anhanguera de São Bernardo do Campo, e dedica-se a compartilhar conhecimento prático e atualizado para dentistas que desejam se especializar no atendimento de crianças.
- Doutora e mestre em odontopediatria pela FOUSP
- Especialista em odontopediatria pela FAPES
- Especialista em odontologia para pacientes com necessidades especiais pela UNIP
- Aperfeiçoamento em atendimento odontológico na primeira infância (curso de bebês) pela FFO FOUSP
- Professora da UNIP São Paulo (campi Indianápolis e Marquês) e da Faculdade Anhanguera de São Bernardo do Campo
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