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Piso salarial médico de R$ 13.662: entenda a tramitação do PL 1.365/2022

O projeto que eleva o piso nacional de médicos e cirurgiões-dentistas avançou nas comissões do Senado, mas ainda não é lei. Veja onde a proposta está agora e o que falta para valer.

Depois de 65 anos com o piso salarial de médicos e cirurgiões-dentistas praticamente congelado, o Projeto de Lei 1.365/2022 voltou ao centro do debate no Congresso Nacional. A proposta, da senadora Daniella Ribeiro (PP-PB), eleva o piso nacional de R$ 3.636 para R$ 13.662 em jornada de 20 horas semanais. Em agosto de 2026, o projeto passou por mais uma rodada de votação nas comissões do Senado, mas a tramitação ainda está longe do fim. Este panorama reúne o que já foi aprovado, o que mudou na última votação e as etapas que ainda faltam.

Resumo rápido

Novo piso
R$ 13.662 para jornada de 20 horas semanais, contra R$ 3.636 hoje.
Implementação
Gradual em 3 anos, aprovada pela CAE em 11 de agosto de 2026: 40%, depois 70%, depois 100% do valor.
Próxima etapa
Retorno à CAS, votação em Plenário do Senado e depois análise da Câmara dos Deputados.

O que já foi aprovado e o que mudou em agosto

O PL 1.365/2022 já passou por duas rodadas completas de aprovação no Senado antes de voltar às comissões. Em abril de 2026, a Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) deu parecer favorável a um substitutivo do relator, senador Nelsinho Trad (PSD-MS). Em maio e junho, a Comissão de Assuntos Sociais (CAS) aprovou o texto por unanimidade, em caráter terminativo, o que permitiria à proposta seguir direto para a Câmara dos Deputados sem passar pelo Plenário do Senado.

Um grupo de senadores, entre eles Jaques Wagner (PT-BA), apresentou recurso para levar a matéria ao Plenário. A líder do governo no Senado, Teresa Leitão (PT-PE), apresentou quatro emendas. Como alteram o impacto orçamentário do projeto, as emendas precisaram voltar à CAE, que as analisou em 11 de agosto de 2026. O relator acolheu apenas uma: a que prevê a implementação gradual do novo piso em três etapas ao longo de três anos. As outras três, que tentavam excluir servidores públicos estatutários do alcance do piso ou tornar facultativa a compensação da União a estados e municípios, foram rejeitadas.


O que o texto muda na prática para o médico

Além do valor do piso, o projeto atualiza um conjunto de regras trabalhistas que estavam paradas desde 1961. Veja os principais pontos do texto aprovado até agora:

  • Reajuste automático anual
    O piso passa a ser corrigido todo ano pelo IPCA, o índice oficial de inflação, o que evita novos períodos longos de defasagem.
  • Adicional de hora extra e noturno
    O adicional sobe de 20% para 50% sobre o valor da hora, tanto para trabalho noturno quanto para hora extra.
  • Pausa durante o plantão
    Fica prevista uma pausa de dez minutos a cada 90 minutos de trabalho contínuo.
  • Chefia de serviços médicos
    Cargos de chefia em serviços médicos e odontológicos passam a ser exclusivos para médicos e cirurgiões-dentistas.
  • Custeio pelo Fundo Nacional de Saúde
    Para a rede pública federal, o aumento é bancado pelo FNS, sem exigir que estados e municípios usem recursos próprios.

O governo classifica o projeto como "pauta-bomba", por aumentar despesa pública sem uma fonte de receita nova prevista. A Confederação Nacional de Municípios estima um impacto de R$ 25,9 bilhões para os cofres municipais, o que ajuda a explicar por que a tramitação voltou às comissões.


O que ainda falta para o piso virar lei

Mesmo depois de duas aprovações no Senado, o projeto segue em tramitação e o novo piso ainda não está em vigor. As etapas que faltam são:

  • Reanálise na CAS
    A Comissão de Assuntos Sociais precisa reanalisar as mesmas emendas já avaliadas pela CAE.
  • Votação em Plenário do Senado
    Por causa do recurso apresentado, o texto final precisa ser votado pelos senadores em Plenário, e não apenas nas comissões.
  • Aprovação na Câmara dos Deputados
    Depois do Senado, o projeto ainda passa por um ciclo completo de análise na Câmara, onde a pressão fiscal do governo tende a tornar o debate mais disputado.
  • Sanção presidencial
    Só depois de aprovado pela Câmara e sancionado pelo presidente da República o novo piso passa a valer oficialmente.

Entidades como o Conselho Federal de Medicina (CFM) e a Associação Médica Brasileira (AMB) já se manifestaram favoráveis ao projeto, classificando o avanço no Senado como uma conquista histórica para a categoria. O acompanhamento da tramitação segue relevante para médicos e cirurgiões-dentistas que querem entender o real impacto financeiro da mudança antes que ela se torne lei.

Fontes

  1. Agência Senado, cobertura da votação de emendas na CAE em agosto de 2026
  2. Agência Senado, aprovação do texto na CAS em junho de 2026
  3. Conselho Federal de Medicina (CFM), posicionamento sobre a aprovação no Senado
  4. Associação Médica Brasileira (AMB), posicionamento sobre a aprovação na CAS

Perguntas frequentes

Respostas diretas para as dúvidas mais comuns sobre o piso salarial médico e a tramitação do PL 1.365/2022.

Qual é o valor do novo piso salarial médico proposto? +
O PL 1.365/2022 propõe um piso nacional de R$ 13.662 para médicos e cirurgiões-dentistas em jornada de 20 horas semanais. O valor substitui o piso atual de R$ 3.636, fixado pela Lei 3.999/1961 e validado pelo STF na ADPF 325.
O piso salarial médico já está valendo? +
Não. O projeto ainda precisa retornar à Comissão de Assuntos Sociais (CAS) do Senado, ser votado no Plenário do Senado, aprovado pela Câmara dos Deputados e sancionado pelo presidente da República. Só depois da sanção o novo piso passa a valer.
O piso será implementado de uma vez ou aos poucos? +
Pela emenda aprovada na CAE em 11 de agosto de 2026, a implementação será gradual em três anos: 40% do valor no primeiro exercício financeiro após a publicação da lei, 70% no segundo e 100% no terceiro. O valor final de R$ 13.662 permanece inalterado.
Quem vai pagar a conta do novo piso salarial? +
Pelo texto atual, o custeio para médicos da rede pública federal vem do Fundo Nacional de Saúde (FNS), sem que estados e municípios precisem arcar com recursos próprios. Ainda assim, a Confederação Nacional de Municípios estima um impacto de R$ 25,9 bilhões para os cofres municipais, o que tem gerado resistência de parte do Congresso e do governo.
O piso vale para médicos da rede privada também? +
Sim. Como aprovado até agora, o novo piso salarial se aplica tanto a médicos e cirurgiões-dentistas do setor público quanto do setor privado, com jornada de referência de 20 horas semanais.

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