Arritmias no CID-10: taquicardia (R00.0), fibrilação atrial (I48) e I49.9
Taquicardia, palpitação e fibrilação atrial têm códigos diferentes. Veja quando o ECG permite trocar o código de sintoma pelo de diagnóstico.
Taquicardia sem diagnóstico definido é o R00.0, palpitação é o R00.2, a fibrilação atrial e o flutter estão no I48, e a arritmia não especificada é o I49.9. O que separa o sintoma do diagnóstico é o eletrocardiograma ou outro registro do ritmo.
Como muitos pacientes chegam com palpitação e o ritmo só é definido depois de exames, o registro costuma passar por mais de um código. Veja as páginas do CID R00.0 (taquicardia), do CID I48 (fibrilação atrial) e do CID I49.9 no Guia CID.
Resumo rápido
- R00.0 e R00.2
- Taquicardia e palpitações: sintomas sem diagnóstico de ritmo definido.
- I48
- Fibrilação atrial e flutter: diagnóstico definido pelo eletrocardiograma.
- I49.9
- Arritmia cardíaca não especificada: arritmia documentada, sem tipo definido.
Sintoma × diagnóstico
| Código | Descrição | Quando usar |
|---|---|---|
| R00.0 | Taquicardia não especificada | Frequência cardíaca elevada, sem ritmo definido |
| R00.2 | Palpitações | Sensação de batimento cardíaco, sem arritmia documentada |
| I47.1 | Taquicardia supraventricular | Taquicardia supraventricular documentada |
| I48 | Flutter e fibrilação atrial | Diagnóstico eletrocardiográfico de FA ou flutter |
| I49.9 | Arritmia cardíaca não especificada | Arritmia documentada, sem tipo definido |
Os códigos R00 descrevem o que o paciente sente ou o que se observa na frequência, e os códigos I47 a I49 descrevem o ritmo confirmado. Uma taquicardia detectada na consulta, sem eletrocardiograma, é R00.0. Depois que o traçado mostrar o ritmo, o código de diagnóstico passa a ser o adequado.
O eletrocardiograma é o que muda o código. Sem o registro do ritmo, o diagnóstico de arritmia específica não se sustenta.
Erros comuns com o I48
O I48 descreve fibrilação atrial e flutter atrial, e o uso do código exige que o ritmo tenha sido documentado. Um erro frequente é registrar I48 pela suspeita de pulso irregular, sem o eletrocardiograma. O outro é o contrário: manter o R00.0 ou o I49.9 quando o ECG já mostrou fibrilação atrial.
- registre o exame que mostrou o ritmo, com a data;
- descreva o padrão da arritmia, como paroxística, persistente ou permanente, no texto do prontuário;
- anote as condições associadas e o risco de eventos tromboembólicos, que orientam a conduta;
- confirme na página do Guia CID se a base usada detalha subdivisões do I48.
A fibrilação atrial é uma das arritmias mais relevantes na prática clínica, e o registro correto facilita o acompanhamento, a anticoagulação e a comunicação entre serviços.
Palpitação (R00.2) é sintoma
Palpitação é a percepção do batimento cardíaco, e nem toda palpitação corresponde a uma arritmia. Ansiedade, uso de cafeína, anemia e alterações da tireoide são causas frequentes, e o registro como R00.2 é coerente enquanto a investigação não define a causa.
Se o monitoramento do ritmo, como um Holter, mostrar uma arritmia, o código passa a ser o do tipo encontrado. Se o exame for normal e outra causa for identificada, o código da causa é o que descreve o quadro. Em pacientes com síncope ou dor no peito associadas, a investigação deve ser mais completa, e o registro deve refletir os outros sintomas.
O que documentar
-
Característica do episódio
Início e fim súbitos ou graduais, duração, frequência dos episódios e fatores desencadeantes.
-
Sintomas associados
Tontura, síncope, dor no peito e falta de ar, que definem a gravidade.
-
Exames e ritmo
Eletrocardiograma, Holter ou outro registro, com data e o ritmo descrito no laudo.
-
Condições de base
Hipertensão, doença valvar, tireoidopatia e outros fatores que influenciam o quadro.
Como registrar quando o ritmo é intermitente
Nas arritmias paroxísticas, o paciente pode estar em ritmo normal na consulta, e o diagnóstico depende de registros feitos em outros momentos. Nessas situações, o prontuário deve mostrar:
- a descrição dos episódios pelo paciente, com duração e frequência;
- o método usado para capturar o ritmo, como eletrocardiograma durante o sintoma, Holter ou monitor de eventos;
- o achado do exame que documentou a arritmia, com a data;
- o ritmo na consulta em que o paciente foi examinado;
- a conduta definida a partir do resultado.
Se o monitoramento não capturar arritmia e o paciente continuar com sintomas, o R00.2 ou o R00.0 seguem como registro coerente, e a investigação pode ser ampliada. Quando o diagnóstico for confirmado, o código deve ser atualizado para o do tipo encontrado, com a data do exame que o sustentou. Essa sequência deixa claro, para qualquer profissional que assuma o caso, o que foi documentado e o que ainda é hipótese.
Para equipes de faturamento, a orientação é usar o código que o médico registrou após o exame, e não o do primeiro atendimento.
Fontes
- OMS, CID-10 (versão 2019), classificação de referência com a descrição de cada código
- Sociedade Brasileira de Cardiologia, diretrizes e informações de cardiologia
- Guia CID, I48, descrição do código conferida na base do Guia CID
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Escrito por
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