Cólica renal e pedra nos rins: N23 e N20.0
A cólica renal tem código de sintoma (N23), e a pedra confirmada tem código de doença (N20.0). Veja quando cada um vale e o papel da hidronefrose.
O N23 (cólica nefrética não especificada) registra a dor da cólica renal quando o cálculo ainda não foi confirmado, e o N20.0 (calculose do rim) passa a valer quando o exame mostra a pedra. Se o cálculo obstrui a via urinária e há dilatação, a hidronefrose com obstrução por cálculo tem outro código, o N13.2.
A dor da cólica é intensa e leva muitos pacientes ao pronto-socorro, onde o registro costuma ser feito antes do resultado dos exames. Veja as páginas do CID N23, do CID N20.0 e do CID N13.2 (hidronefrose) no Guia CID.
Resumo rápido
- N23
- Cólica nefrética não especificada: dor típica, sem cálculo confirmado.
- N20.0
- Calculose do rim: cálculo confirmado por exame de imagem.
- N13.2
- Hidronefrose com obstrução por calculose renal e ureteral.
N23 × N20.0
| Código | Descrição | Quando usar |
|---|---|---|
| N23 | Cólica nefrética não especificada | Dor típica de cólica renal, sem cálculo confirmado |
| N20.0 | Calculose do rim | Cálculo confirmado no rim |
| N20.1 | Calculose do ureter | Cálculo confirmado no ureter |
| N20.2 | Calculose do rim com calculose do ureter | Cálculos nos dois locais |
| N20.9 | Calculose urinária não especificada | Cálculo urinário sem localização definida |
A cólica é o sintoma, e o cálculo é a causa, e o registro deve acompanhar o que a avaliação mostrou. Enquanto o exame de imagem não foi feito ou não confirmou o cálculo, o N23 é coerente. Depois da confirmação, o código de calculose, com a localização, descreve melhor o quadro.
Se o exame confirmar o cálculo, o código de calculose é preferível ao do sintoma, porque ele descreve a doença que causa a dor.
Hidronefrose muda a conduta e o código
Quando o cálculo obstrui o fluxo da urina e o sistema coletor se dilata, o quadro passa a ser hidronefrose com obstrução, e o N13.2 descreve essa situação. A presença de hidronefrose é um dado importante para a decisão sobre a conduta e o seguimento, e o exame de imagem é o que a define.
- registre o exame que mostrou a dilatação, com data e descrição;
- anote a localização e o tamanho do cálculo, quando descritos no laudo;
- documente sinais de infecção, que mudam a gravidade e a urgência do caso;
- registre a função renal, quando avaliada, principalmente em rim único ou doença renal prévia.
Quando a obstrução vem acompanhada de infecção, o quadro é uma urgência urológica, e o registro deve refletir isso. Veja o N13.2 no Guia CID para conferir a descrição.
Urgência × ambulatório
O código muda conforme o cenário de atendimento, mas a decisão entre urgência e ambulatório depende da gravidade, e não do código. No pronto-socorro, o paciente com dor intensa recebe analgesia e avaliação, e o N23 é frequente no primeiro registro. No ambulatório, com exame em mãos, o código de calculose é o mais adequado.
São sinais que pedem atenção imediata: febre, dor incontrolável, vômitos persistentes, rim único e alteração de função renal. Nesses casos, o registro dos achados é tão importante quanto o código. A conduta e o seguimento com o urologista seguem as diretrizes da especialidade.
O que documentar
-
Característica da dor
Início, localização, irradiação e intensidade, com sintomas urinários e gastrointestinais associados.
-
Exames realizados
Urina, função renal e exame de imagem, com data e resultado de cada um.
-
Sinais de gravidade
Febre, sinais de infecção, dor refratária e condições que aumentam o risco.
-
Conduta e seguimento
Analgesia, orientações, plano de retorno e encaminhamento ao urologista.
Como conduzir o registro do episódio à consulta ambulatorial
O paciente que passa pelo pronto-socorro com cólica renal costuma seguir para acompanhamento ambulatorial, e o registro do episódio é a base dessa continuidade. Para facilitar a transição, o prontuário deve trazer:
- o diagnóstico da alta, com o código coerente com o exame realizado;
- o resultado dos exames de imagem e de laboratório, com data;
- a medicação prescrita e as orientações sobre hidratação e sinais de retorno;
- o encaminhamento ao urologista, quando indicado;
- a orientação sobre a coleta de exames de seguimento.
No ambulatório, o urologista pode complementar a investigação para entender a causa da formação do cálculo e reduzir o risco de novos episódios. O código de calculose, com a localização do cálculo, é o que melhor acompanha o paciente nessa fase. Se o cálculo foi eliminado e o paciente ficou sem sintomas, o registro deve refletir a resolução do episódio, e não manter o código como se o quadro continuasse ativo.
Em pacientes com episódios recorrentes, o histórico de cálculos anteriores e os exames metabólicos feitos devem constar no prontuário.
Fontes
- OMS, CID-10 (versão 2019), classificação de referência com a descrição de cada código
- Sociedade Brasileira de Urologia, informações e orientações de urologia
- Guia CID, N20.0, descrição do código conferida na base do Guia CID
Perguntas frequentes
Respostas diretas para as dúvidas mais comuns sobre CID de cólica renal e cálculo renal.
Qual o CID de cólica renal? +
Qual o CID de pedra nos rins? +
Qual o CID de hidronefrose por cálculo? +
Posso manter N23 depois do exame confirmar o cálculo? +
Cólica renal com febre muda o registro? +
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Escrito por
Laura Rodrigues
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