Lombalgia no CID-10: M54.5, M51.1 e red flags
Dor lombar inespecífica, lumbago com ciática ou radiculopatia por disco: veja como escolher o código e reconhecer os sinais de alarme.
Use M54.5 para dor lombar baixa sem causa específica, M54.4 para lumbago com ciática e M51.1 quando há radiculopatia por transtorno de disco lombar. A pergunta que define o código é se há irradiação com comprometimento de raiz nervosa.
A lombalgia é uma das queixas mais frequentes em consultório e pronto atendimento, e por isso a que mais gera dúvidas de registro. Este guia mostra a diferença entre os códigos e os sinais de alarme que mudam a investigação.
Resumo rápido
- M54.5
- Dor lombar baixa, sem causa específica identificada.
- M54.4
- Lumbago com ciática.
- M51.1
- Transtorno de disco lombar e de outros discos intervertebrais com radiculopatia.
M54.5, M54.4 e M51.1: comparação
| Código | Descrição | Quando usar |
|---|---|---|
| M54.5 | Dor lombar baixa | Dor lombar sem irradiação e sem causa específica identificada |
| M54.4 | Lumbago com ciática | Dor lombar com irradiação para o membro inferior, sem causa discal definida |
| M51.1 | Transtornos de discos lombares e de outros discos intervertebrais com radiculopatia | Radiculopatia com correlação clínica e, quando disponível, de imagem com doença discal |
| M51.2 | Outros deslocamentos discais intervertebrais especificados | Lumbago decorrente de deslocamento discal, sem radiculopatia |
Quando a dor é inespecífica
A lombalgia inespecífica é aquela em que a avaliação não identifica uma causa estrutural específica, e é o cenário mais comum. O M54.5 descreve esse quadro e não significa que o problema é leve: apenas que não há diagnóstico anatômico definido. Se durante o seguimento surgir uma causa, o registro deve ser atualizado.
Inespecífica não é sinônimo de benigna. É a ausência de causa identificada, até que os sinais de alarme sejam descartados.
Radiculopatia e hérnia discal
O M51.1 exige duas coisas no prontuário: quadro de radiculopatia e relação com doença discal lombar. Irradiação, alterações de sensibilidade, déficit motor ou reflexos alterados na distribuição de uma raiz sustentam o código. A imagem ajuda, mas o quadro clínico é o que define a conduta. A presença de hérnia em exame de imagem, sem correlação clínica, não é suficiente por si só.
Para outros diagnósticos da região, consulte o guia musculoesquelético.
Sinais de alarme que mudam a conduta
A presença de sinais de alarme (red flags) muda a investigação e pode mudar o diagnóstico registrado.
-
Trauma significativo ou osteoporose
Suspeita de fratura, especialmente em quem tem fragilidade óssea ou uso prolongado de corticoide.
-
Febre, imunossupressão ou uso de drogas injetáveis
Sugerem infecção da coluna e exigem investigação.
-
Antecedente de câncer ou perda de peso inexplicada
Levantam suspeita de lesão secundária.
-
Dor noturna ou em repouso, sem alívio
Padrão que foge do mecânico e pede investigação.
-
Déficit neurológico progressivo ou sintomas de cauda equina
Retenção urinária, anestesia em sela e fraqueza bilateral são emergência.
Exemplos de registro
Quatro situações mostram como o quadro clínico decide o código.
-
Dor após esforço, sem irradiação e exame neurológico normal
Dor lombar baixa sem causa específica: M54.5.
-
Dor lombar irradiada para a face posterior da coxa e da perna
Lumbago com ciática: M54.4. Se a radiculopatia por doença discal estiver sustentada, considere o M51.1.
-
Dor lombar com formigamento em dermátomo e fraqueza de dorsiflexão do pé, com hérnia correlata na imagem
Transtorno de disco com radiculopatia: M51.1.
-
Dor lombar em paciente com antecedente de câncer e perda de peso
O registro de dor lombar descreve o sintoma. O diagnóstico virá da investigação e deve substituir o código quando existir.
Um cuidado com a linguagem: ciática, lombalgia e dor lombar irradiada não são sinônimos. Ciática é a dor no trajeto do nervo ciático e tem código próprio (M54.3).
O que documentar na avaliação da dor lombar
Na lombalgia, o registro clínico é o que separa a dor inespecífica do quadro que exige investigação. Vale documentar sempre:
- tempo de evolução e fator desencadeante, se houver;
- presença de irradiação e seu trajeto;
- achados neurológicos, como déficit motor, alteração de sensibilidade e de reflexos;
- sinais de alerta pesquisados, incluindo alterações esfincterianas e antecedentes relevantes;
- limitação funcional e impacto no trabalho.
Sem sinais de alerta e sem irradiação com correlação, a dor lombar inespecífica é coerente. Com sinais de radiculopatia e exame de imagem compatível, o código do disco intervertebral pode ser considerado. Em ambos os casos, o registro deve refletir o que foi encontrado.
Fontes
- OMS, CID-10 (versão 2019), classificação de referência com a descrição de cada código
- Sociedade Brasileira de Reumatologia, conteúdo assistencial sobre dor lombar e doenças reumáticas
- Guia CID, M54.5, descrição do código conferida na base do Guia CID
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Escrito por
Laura Rodrigues
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