Infecção urinária: N39.0, N30.0 ou N10?
Três códigos para o mesmo problema comum. Veja quando usar ITU de sítio não especificado, cistite aguda ou pielonefrite aguda.
Use N39.0 quando a infecção urinária não tem localização definida, N30.0 quando o quadro é de cistite aguda e N10 quando há pielonefrite aguda. Os três descrevem infecção do trato urinário, mas em níveis diferentes de especificidade e de gravidade.
A escolha importa para o acompanhamento: a cistite aguda e a pielonefrite têm apresentações, riscos e condutas distintas, e o código no prontuário deveria refletir essa diferença. Abaixo, um roteiro para decidir com segurança.
Resumo rápido
- N39.0
- Infecção do trato urinário de localização não especificada.
- N30.0
- Cistite aguda: infecção da bexiga, com sintomas urinários baixos.
- N10
- Nefrite túbulo-intersticial aguda, que inclui a pielonefrite aguda.
Comparação: N39.0, N30.0 e N10
| Código | Descrição | Quadro típico |
|---|---|---|
| N39.0 | Infecção do trato urinário de localização não especificada | Diagnóstico de ITU sem definição de bexiga ou rim no prontuário |
| N30.0 | Cistite aguda | Disúria, urgência, polaciúria e dor suprapúbica, sem sinais sistêmicos |
| N10 | Nefrite túbulo-intersticial aguda (pielonefrite aguda) | Febre, dor lombar ou em flanco, mal-estar e sinais sistêmicos |
A diferença clínica que sustenta o código é o sítio: trato urinário baixo (bexiga) ou alto (rim). Sintomas sistêmicos e dor em flanco apontam para pielonefrite, e sintomas restritos ao trato baixo apontam para cistite.
Quando usar cada um
-
N30.0: cistite aguda
Prefira este código quando o quadro descrito é de infecção baixa. Ele comunica que não há envolvimento renal documentado.
-
N10: pielonefrite aguda
Use quando há sinais de acometimento renal. É o código que sinaliza maior gravidade e costuma justificar seguimento mais atento.
-
N39.0: sítio não especificado
É correto quando o prontuário não define o sítio, por exemplo em atendimentos rápidos ou em diagnóstico laboratorial sem quadro clínico detalhado. Não deve ser o padrão quando há informação para ser mais específico.
Se o prontuário descreve os sintomas, o código deve acompanhar a descrição. N39.0 por hábito empobrece o registro.
Complementos e situações especiais
Alguns detalhes mudam o registro sem mudar o diagnóstico principal.
- Agente identificado: pode ser acrescentado um código complementar para o microrganismo, como o B96.2 (Escherichia coli como causa de doenças classificadas em outros capítulos);
- Pielonefrite sem especificar se aguda ou crônica: existe categoria própria (N12), que deve ser usada apenas quando essa informação de fato não consta;
- Gestantes: infecções do trato geniturinário na gravidez têm categoria própria (O23);
- Bacteriúria sem sintomas não configura ITU, e o registro deve refletir isso.
Impacto no acompanhamento
O código é a memória do caso: quem abrir o prontuário depois precisa entender o que foi diagnosticado. Um paciente com registro de N10 recente será visto de forma diferente, no retorno ou em novo episódio, de outro com N30.0. Em auditoria e faturamento, a coerência entre evolução, exames e código evita glosas.
Para outros diagnósticos da região, veja o guia do trato urinário no Guia CID.
Exemplos de registro
A mesma queixa urinária pode ter registros diferentes, dependendo do que foi documentado.
-
Sintomas urinários baixos, sem febre
Mulher jovem, com disúria, urgência e polaciúria há dois dias, afebril, com exame de urina sugestivo: N30.0.
-
Febre, calafrios e dor lombar
Paciente com febre, dor lombar unilateral, náuseas e mal-estar, com sinais de acometimento renal: N10.
-
Atendimento rápido, sem descrição do quadro
Exame de urina alterado e queixa urinária inespecífica, sem descrição de localização: N39.0.
-
Cistite com cultura identificando E. coli
N30.0, com o código complementar B96.2 para o agente.
Em infecções recorrentes, cada episódio é registrado com o código do sítio correspondente, e o padrão de repetição fica descrito na evolução.
Dados que definem o nível de acometimento
A diferença entre cistite e pielonefrite está na clínica, e é ela que precisa aparecer no registro. Antes de fechar o código, vale documentar:
- sintomas urinários baixos, como disúria, urgência e polaciúria;
- presença de febre, dor lombar ou dor à percussão do ângulo costovertebral;
- sinais de gravidade e necessidade de encaminhamento;
- resultado de urina tipo 1 e urocultura, quando solicitados;
- condições que modificam a conduta, como gestação ou uso de sondas.
Se o quadro tem sintomas baixos isolados e o sítio está definido, a cistite aguda é coerente. Quando há sinais de acometimento alto, o registro deve refletir isso. Se o sítio não foi definido, o código de infecção urinária sem localização segue como opção.
Fontes
- OMS, CID-10 (versão 2019), classificação de referência com a descrição de cada código
- Sociedade Brasileira de Urologia, conteúdo assistencial sobre infecções urinárias
- Guia CID, N39.0, descrição do código conferida na base do Guia CID
Perguntas frequentes
Respostas diretas para as dúvidas mais comuns sobre CID de infecção urinária.
Qual o CID de infecção urinária? +
Qual a diferença entre N39.0 e N30.0? +
Pielonefrite usa qual código? +
Como registrar o agente da infecção? +
Bacteriúria assintomática é ITU? +
O CID-10 distingue ITU complicada de não complicada? +
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Escrito por
Laura Rodrigues
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